quinta-feira, 7 de abril de 2011

O Elevador

Alessandra tem cerca de trinta e cinco anos, é casada e tem dois amantes que por coincidência moram no mesmo prédio que ela.Mas Alessandra não sabe disso.

Ela e o marido saem para fazer compras. Trancam a porta e em três passos estão na frente do elevador. Apertam o botão e esperam alguns minutos. A porta metálica abre lentamente e vai revelando os rostos dos ocupantes e entre eles, os dois amantes.

Os dois arregalam os olhos ao vê-la com outro, ambos não sabem que ela é casada. Um estava com a expressão apreensiva e o outro como um pitbull pronto para o ataque.

Apesar de tentar disfarçar, Alessandra ficou apavorada, inventou desculpas para voltar ao apartamento, mas o marido apressado arrastou a mulher para dentro do elevador.

Ela abriu caminho entre as pessoas e procurou ficar distante fisicamente dos amantes, mas os olhares destes estavam fixados em seu rosto à procura de indícios de culpa.

Foram se aproximando lentamente e agora Alessandra estava cercada pelos três homens. O marido a sua frente e os dois amantes atrás de seus ombros.

Repentinamente o elevador parou.

Aqueles homens baforavam com raiva no pescoço dela. Alternadamente sussurravam, como se soubessem que ambos eram seus amantes, mas não sabiam.

O apreensivo dizia:

- Como pôde fazer isso comigo, Raquel !?

Para ele, Alessandra era Raquel, a moça recatada e tímida que conheceu recentemente na livraria da esquina. Muito conservadora, a moça nunca aceitou ir a casa do rapaz.

O pitbull sussurrava e as gotas de sua saliva molhavam o pescoço da adúltera. Proferia palavras chulas ao “pé do ouvido” daquela mulher:

- Vagabunda! É minha vagabunda e de mais ninguém!

Ela era Bia quando se encontrava com ele no motel. Conheceram-se numa boate e saciavam seus desejos sexuais intensamente, sem censuras.

O marido de Alessandra, displicente, não percebia o que se passava atrás de si, estava apenas preocupado em estourar a hora para o fechamento do supermercado.

Ficaram três horas presos no elevador, quando finalmente a porta do andar térreo se abriu, Alessandra empurrou alguns moradores e saiu em disparada. Os três homens saíram em louca perseguição pelo saguão do edifício. O pitbull ultrapassou o apreensivo e o marido. Ao perceber que todos corriam na mesma direção, o marido parou quase na porta de entrada, interrompendo o ritmo do apreensivo, que trombou com ele.

Alessandra pegou o táxi que passava no momento exato de sua saída, fugindo assim das garras do pitbull, que colocou o rabo entre as pernas e voltou para dentro do edifício. Cruzou com o marido e o apreensivo e todos se entreolharam. Embarcaram no elevador e foram para seus respectivos apartamentos.

Pela janela, aqueles três homens decepcionados observavam o que acontecia lá embaixo.

Na quadra poliesportiva alguns moradores jogavam futebol. O apreensivo, o marido e o pitbull embarcaram novamente no elevador e desceram, juntando-se aos boleiros da quadra.

Embora decepcionados esses homens são apaixonados por futebol.

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