terça-feira, 9 de agosto de 2011

Noite de espera

São seis da tarde no relógio da estação. As pessoas estão apressadas, querem voltar logo para casa e descansar. Mas, existem alguns como eu perto da catraca, seres pacientes que aguardam o reencontro com o ser amado.
Observo o vai e vem de rostos e nenhum é o seu, ninguém sorri e nem acena, não vejo o brilho dos seus olhos quando cruza com os meus.
Aguardo a meia hora, ligo várias vezes no celular e nenhuma resposta, nem mesmo uma mensagem de partir o coração dizendo que não vem, nada.
Continuo de pé, lendo uma revista, jogando conversa fora com um estranho sobre a previsão do tempo, e enquanto ando para lá e para cá em claro sinal de nervosismo ou olho no relógio do celular, de repente chego a uma conclusão: sempre esperei pelas pessoas. Esperei que fizessem o jantar, lavassem a roupa, fossem os personagens principais da farsa que chamei de vida, dei valor demais a alguns e pouco a outros e muitas vezes escolhi o lado errado da moeda, deixei de lado pessoas importantes por simples caprichos, mas nessa noite gelada percebi quem realmente eu esperava. Ela surgiu com seus cabelos escuros e cacheados, personalidade forte, disposta a aprender com as peças pregadas pela vida, consciente de si mesma e o mais importante, sabia que não devia esperar demais dos outros para não se magoar e assim dar valor a quem realmente vale a pena.
Embarquei no trem às sete da noite, ele entrou no túnel e no vidro da janela vi o reflexo de meu rosto, finalmente encontrei quem eu queria.
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