quinta-feira, 23 de maio de 2013

Breves Coisas da Vida


Em três linhas, coisas e lembranças de uma vida...

Remédio... Lembro-me do chá de boldo que minha avó fazia, o gosto amargo que ficava na boca, tão necessário para curar as dores de estômago causadas pela azia do espírito e a má digestão dos pensamentos ruins.

Música... Certo dia, no metrô, um homem cantava “Coisa Bonita” do Roberto Carlos para uma garota que estava na multidão, enquanto o coro de usuários amontoados dentro daquela lata de sardinha estava calado.

Saudade... A primeira vez que lidei com a morte. Era uma tia, irmã da minha avó, alto-astral, teimava em comer doce apesar da diabetes, aguentava quando eu durante o sono chutava suas canelas frágeis, sabia o segredo da vida, a incerteza. Fiquei doente de saudade.

Carinho... O perfume que fica no seu corpo depois de um abraço traz lembranças tão doces. Um sorriso amigo conforta a alma e o coração. As mãos no ombro caído tem o poder de levantar a moral de qualquer um. Anjos, na forma de amigos.

Provocações...  Não... Não é o programa do Antônio Abujamra na TV Cultura! Toda pessoa de bem tem sua paciência testada por criaturas insignificantes, mas nestes momentos, caros leitores, permaneçam em silêncio e deixem a outra pessoa engolir a própria língua.

Fotografe... Mesmo que seja com a câmera de 3MP do seu telefone celular, o importante é eternizar aquele momento especial. Outro dia vi uma linda borboleta laranja, a maior de todas, mas não a fotografei, ela ficou gravada na minha memória.

Telefone... A longa espera pela ligação que pode mudar a sua vida. O resultado da entrevista de emprego, do concurso, o convite para sair. A paciência é necessária nesta vida corrida de celulares, smartphones e afins.

Casa... Ter uma casa é diferente de ter um lar. O lar é subjetivo, é o resultado das ações dos convivas, amor, companheirismo. A casa, por outro lado, é o símbolo do materialismo, posse, coisa concreta. No final, você tem um lar ou uma casa?

Formigas... Quando criança minha diversão era observar as formigas organizadas no quintal. Elas realmente sabem trabalhar em equipe. Uma folha que caia da árvore era rapidamente recolhida e levada para o formigueiro. Admiráveis administradoras as formigas.

Cores... O amor é vermelho? Mesmo? Pode ser tanto vermelho de paixão quanto de sangue. O vermelho do amor é dor e prazer. É a flecha do cupido que rasga o alvo rubro. O amor tem várias cores, mas o vermelho é a mais lembrada.

Breves são as coisas da vida e cada momento, hora, minuto, segundo, milésimo de segundo é essencial para nossa experiência aqui na Terra.

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