quarta-feira, 15 de maio de 2013

Conversa Mole


Outro dia dentro do ônibus, na volta para casa, fiquei ao lado de um rapaz. No primeiro momento passei direto por ele, pois sua bolsa estava sobre o assento, no corredor, como que a guardar lugar. Fui até o fundo do ônibus, todos os assentos ocupados, e decidi voltar para tentar a sorte e consegui o espaço. 

Descobri que ele havia guardado o lugar para uma moça que estava do outro lado da catraca sem bilhete, mas como o cobrador demorou a aparecer, ela ficou presa e assim o rapaz permitiu que ficasse ao lado dele.

Quando a moça se aproximou, ele puxou conversa. Fui espectadora daquele teatro armado pelo conquistador barato. A primeira e clássica pergunta foi:

- Você sempre faz esse caminho? – Uma variação daquele “você vem sempre aqui”.

- Sim – respondeu a tímida loira de olhos verdes.

O rapaz que tal qual o pavão estufava o peito, disse:

- Que bom! Espero que possamos fazer esse caminho sempre juntos.

Eu, caros leitores, estava “muito concentrada” na leitura de Madame Bovary, de Flaubert. Mas, aquela moça não era como a Madame Bovary.

- E o namorado, está em casa? – perguntou o nosso galanteador na esperança de que a jovem tímida, delicada e loira de olhos verdes respondesse:

- Não – com risinhos e vermelha pela timidez.

Mas, a realidade foi um pouco mais dura com ele:

- Agora não, mais tarde estará.

O jovem galanteador fechou a cara imediatamente, encostou o rosto na janela e resolveu que o melhor mesmo era tirar um cochilo para esquecer o papel de bobo pelo qual acabara de passar.

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