segunda-feira, 27 de maio de 2013

Folhas Secas da Alma

Encontro você na sarjeta, com a cara na lama, abatido... A um passo de ser derrotado por seus próprios demônios.
No quintal não há girassóis, botões de rosa, grama verdinha, apenas cacos de vidro no chão, pontas de cigarro, sujeira, galhos, garrafas de vinho barato, latas de cerveja, folhas secas do outono que virou a sua alma.

Nem a morte te assusta. A morte, aquela cadela sem dentes que lhe sorri e estende os braços acolhedores. Ela ri da sua fraqueza, do seu jeito idiota de ser só para impressionar amigos que o consideram descartável, pessoas que não merecem nem o abraço bêbado que você dá. A ânsia por aprovação tomou conta do seu ser. Quem é você de verdade? O que os outros querem ou o que você quer ser? Por enquanto, é apenas um produto vencido numa prateleira empoeirada por amizades que sugam sua verdadeira essência.

No dia que a morte novamente estendeu os braços, você quase caiu nas garras dela. Um “bom amigo”, parceiro mesmo, ofereceu um “bagulho bom” e esse “treco” quase arrancou seu espírito e fez você viajar até a metade da luz, mas você ficou sério, teve coragem para lutar e não sorriu para a morte.

Recolheu as folhas secas da amargura, solidão, vitimismo, a demasiada importância da opinião e aprovação dos outros, falsidade, desilusão, expectativas demais, cobranças duras sobre si, cigarros, drogas, bebidas, traumas, mentiras, dramas e todos os tipos de sofrimentos que há na vida. Recolheu tudo, jogou álcool, o fósforo, e queimou.

A fumaça purificadora lentamente tomou conta do quintal e o que era um cenário de decadência transformou-se num belo jardim na primavera, cheio de vida.

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