quinta-feira, 13 de junho de 2013

O Metrô e suas Questões de Sobrevivência

Quer um teste de paciência? Pegue o metrô no horário de pico. Dizem que o horário de pico dura das seis às nove da manhã e das cinco às oito da noite, mas tem tanta gente nesta cidade que é melhor não esperar para ir sentado em qualquer horário, porém um pouco menos espremido. Mas, sabe que tem muita gente que não tem a mínima noção de como se comportar diante do caos urbano de um metrô lotado?

Mulheres, metrô não é salão de beleza. Já vi algumas moças que lixavam as unhas, ajeitavam a maquiagem de pé, com o trem em movimento, sem borrar o rímel. Mas, o ápice foi a passageira com os peitos à mostra num grande decote que se exibia para um moço que filmava tudo enquanto ela fazia caras e bocas. No metrô quando você está atrás de uma mulher e ela começa a mexer nos cabelos, aqueles fios que batem no seu rosto são extremamente irritantes, e muitas fazem isso como provocação, é uma disputa territorial.
Não é questão do sexo feminino, é uma questão de educação, é uma questão de saber se comportar como ser humano.

Já que falei das mulheres, os homens também não vão ficar de fora. Tem muitos safadinhos no metrô. Alguns usam o tumulto para esfregar os seus desejos mal resolvidos nas passageiras e há muitos folgados que sentam com as pernas abertas, reis decaídos de seus tronos imaginários. Quanta gente já não teve os cotovelos dos homens mais altos encostados na nuca? Principalmente as mulheres de estatura mediana, como é o meu caso.

Quantas parasitas já se recostaram em você para manter o equilíbrio? Eu sou responsável pelo equilíbrio do meu corpo e da minha vida, e você? Se eu perceber, jogo o corpo na outra direção, pois sou eu que estou no controle daquela situação não é? O outro depende de mim.
Muita gente quer ficar naquele tumulto e mexer no celular ao mesmo tempo, e o que usam de apoio? As suas costas! A mesma coisa acontece com os leitores, porém por causa da minha natureza escritora, livros são bem aceitos nas minhas costas.

E por falar em cultura. Não preciso dizer aqui dos fones vagabundos que deixam a música alta passar do ouvido para o mundo exterior. Fazem campanhas para os funkeiros comprarem fones de ouvido, mas que sejam bons por gentileza e mais, as campanhas deveriam ser para a música alta, independente do gênero. Além de estar numa situação extremamente estressante, ainda temos que aguentar o barulho?

Às vezes, enxergo um lugar onde posso ficar e fugir da aglomeração, com um ímpeto de desbravadora vou pedindo passagem. Sabe o que as pessoas no caminho fazem? Elas ficam incomodadas, primeiro, com a sua audácia, segundo, com o espaço que você conquistou. Todos os dias há um raio de esperança na forma de um ponto cego, mas a maioria prefere ficar encalhada na porta do vagão do que olhar para os corredores.

A sabedoria popular diz que você deve empurrar para entrar nesse caos, por isso vemos tantos seres humanos agir como selvagens. A selvageria é justificada, pois chegar pontualmente ao trabalho é uma questão de sobrevivência, ir a uma consulta marcada para as oito horas da manhã é uma questão de sobrevivência e todas as atitudes mencionadas são questões de sobrevivência, é o jeito que as pessoas tem para garantir o seu espaço, mesmo que muitas vezes de uma maneira equivocada.

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