segunda-feira, 8 de julho de 2013

Mal Traçadas Linhas

Até alguns anos atrás escrevia cartas de próprio punho para uma velha amiga. Ela não tinha e-mail, nem tampouco créditos no celular para trocarmos SMS, então nossa comunicação era muito tradicional.

Quando a amizade é verdadeira ultrapassa as distâncias e qualquer tecnologia existente. Mesmo com os grandes intervalos de resposta entre uma carta e outra, que duravam meses, eu sabia que poderia contar com ela a qualquer momento. Tinha um quê de sexto sentido a nossa amizade.

Cartas... Elas trazem a essência do ser naquelas mal traçadas linhas, a personalidade expressa na caligrafia única, muito diferente da impessoalidade contida nas fontes padronizadas dos editores de e-mail. As marcas feitas pelas mãos que dobraram o papel, o perfume que ficou impregnado no envelope cuidadosamente lacrado, sinais de carinho e atenção.

As mensagens via SMS, muito comum nesse mundo apressado, tem seus limites de caracteres que restringem a plena expressão das emoções. A comunicação é muito mais ágil, porém impessoal demais para quem precisa de mais humanidade.

Ultimamente não tenho escrito cartas à mão e nem tive mais notícias dessa amiga. Guardei na caixa de lembranças cada uma das cartas, sem risco de apaga-las acidentalmente do disco rígido ou da pasta particular no e-mail, mas acima de tudo guardei no coração aquelas palavras escritas em mal traçadas linhas.

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