segunda-feira, 15 de julho de 2013

O Guarda-Roupa - Capítulo 2 - Dora e Mário

Dora era a mais nova das cinco irmãs, dessas cinco, três estão vivas, a outra, sobrevivente, vive no Paraná. Por ser a mais jovem, Dora sempre foi mais “moderninha” que as outras irmãs, começou a fumar com quatorze anos e perdeu a virgindade com dezesseis, naquele tempo não havia camisinha e ela engravidou e para que os pais não descobrissem, fez um aborto numa “espelunca” no centro da cidade, tudo ilegal.

Começou a trabalhar tarde, com vinte e três anos, era caixa de supermercado, fazia charme para o dono e acabou casando-se com ele, que também possuía motéis e restaurantes. Subiu de categoria na pirâmide das classes sociais.

A união durou dois anos e meio, separaram-se. Nesse período nasceu um bebê, menina, Patrícia. A criança passou a receber pensão alimentícia e o depósito bancário era o único contato dela com o pai, que nunca mais quis saber da menina.

Dora havia ficado com metade dos móveis e com a casa na zona norte. Criou Patrícia, trabalhou como costureira começou fazendo pregas em calças e economizou, até que decidiu abrir um negócio e contratar outras costureiras, montando assim, uma empresa terceirizada de serviços de costura. Recomeço.

Numa tarde, apareceu em seu escritório um moto-boy, dirigiu-se a secretária e disse:

- Entrega para a Dona Dora, urgente.

Alto, atlético, trinta e cinco anos,cara de safado, era Mário. Dora apaixonou-se por ele á primeira vista e convidou-o para sair. Ele aceitou com prazer sair com ela. Visitaram o motel do ex-marido e depois a suntuosa casa, ele foi e nunca mais saiu de lá.

Mário. Mário...cerveja. Mário... cachaça. Mário... mulherengo. Mário...trambiqueiro. Mário...jogatina. Resumindo, Mário era um espertalhão que vivia cercado pelos boêmios lá do bar, jogando dominó nas mesinhas de plástico, assistindo ao futebol, meio-campo da várzea...

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