segunda-feira, 22 de julho de 2013

O Guarda-Roupa - Capítulo 3 - A Vida de Casada

Vilma ao saber que o carro de Mário estava quebrado, pensou:
“Só pode ser desculpa daquele vagabundo. Ele é um sanguessuga de mulheres sentimentalistas, que caem na lábia de um tipo chamado Don Juan - está mais para Don Juan do mal - que encanta e seduz as mais românticas, como é Dora. Pobre irmãzinha caiu nas garras do abutre”.

Dora havia viajado para Minas Gerais a fim de fazer alguns contatos comerciais.Como estava mudando os móveis de casa, formou-se uma grande bagunça nos cômodos, com o “fuzuê”, nem lembrou de chamar um carreto para levar o guarda-roupa para a irmã, deixou tudo nas mãos de Mário. Dora só voltaria no dia do aniversário de Vilma.

Vilma teria que chamar um de seus vizinhos para transportar o guarda-roupa já desmontado pelo marido de Patrícia. Rogério. Ele era um marceneiro que ganhava muito pouco, mas estava sempre disposto a ajudar quando fosse preciso instalar um telefone, desmontar um móvel ou consertar encanamentos, acanhado, nunca cobrava pelos seus serviços.

A viúva faria aniversário em três dias, mas a surpresa seria demais para ela, ao saber que todos os carros de sua rua estavam quebrados. Misteriosos problemas mecânicos chamados “quebradecaráter” e “motorpreguiça’, bem comum nos carros dirigidos por homens de certa idade que vivem conversando e jogando nas praças e calçadas do bairro.

Vilma ligou para todos os conhecidos, empenhada em conseguir um transporte para seu moderno presente, após várias respostas negativas, ela decidiu ligar para seu antigo amante Paulo.
Houve uma época no casamento em que Vilma e o falecido Carlos estavam muito distanciados. O falecido bebia uma garrafa de cachaça antes de dormir, nem tocava mais na esposa pois já caia na cama e adormecia.

Carlos mandava em tudo na casa, desde a quantidade de sal na comida até como a roupa deveria ser lavada. Vilma sentia-se aprisionada pelo falecido, mais de vinte anos de cárcere.

O falecido adorava sair à tarde, nesse período ele ficava sóbrio e aproveitava para “pular a cerca”, só “enchia a cara” em casa. Mas, um acidente impediu que Carlos continuasse a trair a esposa. Ele estava saindo do ônibus, quando o motorista pisou descuidadamente no acelerador, o movimento brusco do veículo fez com que ele caísse e batesse a coluna na calçada, ficou paralisado da cintura para baixo. Apesar do acidente continuou a beber a cachaça até cair na cama e dormir.

Vilma, que já não agüentava o desdém e o autoritarismo de Carlos, ficou mais carente e triste quando aconteceu o acidente. Foi nessa ocasião que ela percebeu que poderia dar o troco no falecido, reuniu todas as sua forças e foi viver pela primeira vez. Como Carlos não poderia reagir a nova aventura da esposa, tudo o que pôde fazer foi continuar tomando sua pinga noturna e tapar os ouvidos quando ela falava no telefone.

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