sábado, 5 de outubro de 2013

O Guarda-Roupa - Capítulo 10 - Pratos limpos

Confira o último capítulo do conto "O Guarda-Roupa".
Coloco a disposição dos leitores o e-book com a história completa neste link: http://migre.me/ghT5S

Paulo foi até um orelhão e ligou para a casa do carreteiro a fim de arranjar o número do celular dele, a esposa atendeu ao telefone e passou o número. Ele tinha poucas unidades no cartão e foi muito breve:
- Aqui é o Paulo. Pode voltar para cá agora.
O carreteiro respondeu:
- Só volto aí com uma condição. Não te devo mais nada!
Os créditos acabavam rapidamente, mas Paulo conseguiu responder:
- Tá certo.

O carreteiro voltou e apanhou Paulo, seguiram para a casa de Vilma, sua irmã havia dado o endereço pois ele já não se lembrava mais, só lembrava o nome da igreja perto da casa, Santo Agostinho da Cantuária.
Chegaram por volta das dezenove horas e tocaram a campainha.

Vilma ainda pensava em como desmascarar Mário e seus pensamentos se dissiparam ao ouvir o ding-dong da campainha. Foi atender. Surpreendeu-se ao ver Paulo encostado em seu portão, as marcas da idade no rosto, os olhos cor de mel não haviam perdido o brilho e olhavam atentamente para aquela viúva solitária. Ele disse:
- Olá Vilma, trouxe o seu presente!
Paulo encaminhou-se para a caminhonete e com a ajuda do carreteiro começaram a descarregar o guarda-roupa,
- Que diabos é isso? Oh! Desculpe a má palavra Deus – bradou Vilma.
Seu ex-amante passou-lhe às mãos o bilhete de Dora. Vilma começou a ler:

“Minha irmã, depois de tantos anos de cego amor, tantas mentiras e tolices, descobri que fui enganada, que eu era a mina de ouro de um malandro qualquer. A verdade sobre ele foi o Sr. Paulo quem me contou. Ele não sabia que você era... cunhada? Não! Não dá mais para usar essa palavra. Talvez... parente? Essa também não dá para usar. Enfim... que você conhecia o Mário. Perdoe o Sr. Paulo e aceite esse presente por mim e por ele.”
De sua irmã, Dora.

Vilma sorriu e abriu passagem para que os dois carregassem as peças desmontadas para dentro da casa. Quando Paulo passou por ela, agarrou-se ao pescoço dele e chorou de alegria em seu ombro, abraçaram-se e ele disse:
- Podemos voltar a ser amantes?
Dando um tapa no rosto dele, Vilma respondeu:
- Só amigos!
Paulo sorri, termina de carregar o guarda-roupa para dentro, embarca na caminhonete e diz:
- Amanhã volto com o marceneiro.
Vilma acena para seu ex-amante que parte e pressente que nunca mais voltará a ficar só.

Mário despertou com uma pontada na costela, abriu os olhos e congelou. Era a polícia.

Levaram-no pelado para o camburão, emprestaram alguns trapos para ele e partiram.
Um passante descobriu o homem no tobogã quando ia para o trabalho de manhã, chamou a polícia e disse que só podia ser um “tarado” muito “maluco”.
Chegaram à delegacia e ficharam Mário, para a surpresa dos oficiais, aquele malandro “em pêlo” respondia pelos crimes de falsidade ideológica e por enganar mulheres românticas e sentimentalistas, como era Dora.

O policial, dando risadinhas sarcásticas, avisa:
- Parece que o malandro aqui vai precisar de um advogado!

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