quarta-feira, 20 de março de 2013

Contrastes

Uma mulher no metrô lia Cinqüenta Tons de Cinza, que aparentemente a cada dia torna-se um clássico dos livros populares, mas um detalhe chamou minha atenção nesta cena sem sal nem açúcar, o marca página. Este objeto que inocentemente auxiliava a leitora a não perder o fio da meada trazia informações como endereço, orador, telefone e horário de um culto religioso. Que contraste! O sagrado e o profano dividindo o mesmo espaço, o mesmo banco e sob o mesmo olhar que nada percebe no metrô lotado.

É curioso ver aqueles televisores mudos dentro dos trens que mostram o horóscopo, algumas propagandas, as notícias e a previsão do tempo. A previsão do tempo com o pequeno sol e muitos pingos de chuva, quando se trata de São Paulo, não é de se admirar. Tanta chuva e pouco sol ali na ilustração é um tremendo contraste, neste caso, visual. Se bem que a semana em São Paulo também é cheia de contrastes, entre a manhã fria e a noite quente, com um resfriado de presente no final. O ar-condicionado que congela quem está dentro do escritório e o calor do trânsito quando todos querem chegar ao mesmo lugar no mesmo horário, principalmente nas sextas-feiras depois das 18:00.

É o contraste entre as classes, mas conhecido como desigualdade social. No bairro da Liberdade, bem na Ponte da Amizade, um oriental conversava com um dos mendigos. Os dois ali parados discutiam como o não sei o quê foi parar não sei aonde e as pessoas que passavam admiravam-se com aquela situação surrealista, mal sabem elas que as diferenças são criadas na mente e não se sabe quando, nem porque.
A vida é um contraste mesmo, ricos e pobres, altos e baixos, sol e chuva, erotismo e religião, amor e ódio, preto e branco, doce e amargo. Mas assim é mais gostoso, senão o mundo seria chato demais sem as diferenças, o desequilíbrio e tudo o mais.

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