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segunda-feira, 17 de junho de 2013

No Meio-fio da Solidão

Ela estava em silêncio sentada no meio-fio. Quando passei a seu lado, na ida à loja de bugigangas, percebi que olhava para algum ponto no horizonte, talvez para o passado, ou quem sabe vislumbrasse o futuro.

Durante o caminho, pensei naquela moça e seu olhar distante. Imaginei que na volta ela não estaria mais ali, ledo engano, permanecia no mesmo lugar a sonhar acordada com alguma coisa que a maioria das pessoas talvez não compreendesse.

Pensei o quão sozinha ela se sentia para estar ali. Incompreendida? Abandonada? A vida acontecia a seu redor e ela sentada no meio-fio, sem reação ao mundo exterior. Tinha por companhia somente seus pensamentos, aquele momento era só seu.

A solidão estava escancarada para todo mundo ver, mas foram poucas as pessoas que arriscaram olhar para ela. Segui meu caminho sem olhar para trás, não sei o que aconteceu, se ela continuou no meio-fio ou finalmente descobriu que não estamos sozinhos quando temos a nós mesmos.

sábado, 15 de junho de 2013

Sabe Como?

Sabe como eu sei que você me ama? Porque identifico um pouco de mim nas pessoas com as quais você fica. Mas, você não vê.  Será arrogância minha?

Você me procura nos cabelos castanhos, nos olhos escuros, no corte de cabelo, nas mãos que tanto admira, na boca, nos óculos, nas roupas descoladas, nos livros na estante, os DVDs nas prateleiras, nos pés que saem do chão em busca dos sonhos, sonhos de amor e garantias de felicidade eterna, abraços calorosos e beijos amigos, beijos amantes.

Mas, se você não quer enxergar a verdade, seguirei o meu caminho e talvez algum dia, o seu orgulho vai se dissipar e seus olhos vão admitir aquilo que a minha arrogância já sabe.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O Metrô e suas Questões de Sobrevivência

Quer um teste de paciência? Pegue o metrô no horário de pico. Dizem que o horário de pico dura das seis às nove da manhã e das cinco às oito da noite, mas tem tanta gente nesta cidade que é melhor não esperar para ir sentado em qualquer horário, porém um pouco menos espremido. Mas, sabe que tem muita gente que não tem a mínima noção de como se comportar diante do caos urbano de um metrô lotado?

Mulheres, metrô não é salão de beleza. Já vi algumas moças que lixavam as unhas, ajeitavam a maquiagem de pé, com o trem em movimento, sem borrar o rímel. Mas, o ápice foi a passageira com os peitos à mostra num grande decote que se exibia para um moço que filmava tudo enquanto ela fazia caras e bocas. No metrô quando você está atrás de uma mulher e ela começa a mexer nos cabelos, aqueles fios que batem no seu rosto são extremamente irritantes, e muitas fazem isso como provocação, é uma disputa territorial.
Não é questão do sexo feminino, é uma questão de educação, é uma questão de saber se comportar como ser humano.

Já que falei das mulheres, os homens também não vão ficar de fora. Tem muitos safadinhos no metrô. Alguns usam o tumulto para esfregar os seus desejos mal resolvidos nas passageiras e há muitos folgados que sentam com as pernas abertas, reis decaídos de seus tronos imaginários. Quanta gente já não teve os cotovelos dos homens mais altos encostados na nuca? Principalmente as mulheres de estatura mediana, como é o meu caso.

Quantas parasitas já se recostaram em você para manter o equilíbrio? Eu sou responsável pelo equilíbrio do meu corpo e da minha vida, e você? Se eu perceber, jogo o corpo na outra direção, pois sou eu que estou no controle daquela situação não é? O outro depende de mim.
Muita gente quer ficar naquele tumulto e mexer no celular ao mesmo tempo, e o que usam de apoio? As suas costas! A mesma coisa acontece com os leitores, porém por causa da minha natureza escritora, livros são bem aceitos nas minhas costas.

E por falar em cultura. Não preciso dizer aqui dos fones vagabundos que deixam a música alta passar do ouvido para o mundo exterior. Fazem campanhas para os funkeiros comprarem fones de ouvido, mas que sejam bons por gentileza e mais, as campanhas deveriam ser para a música alta, independente do gênero. Além de estar numa situação extremamente estressante, ainda temos que aguentar o barulho?

Às vezes, enxergo um lugar onde posso ficar e fugir da aglomeração, com um ímpeto de desbravadora vou pedindo passagem. Sabe o que as pessoas no caminho fazem? Elas ficam incomodadas, primeiro, com a sua audácia, segundo, com o espaço que você conquistou. Todos os dias há um raio de esperança na forma de um ponto cego, mas a maioria prefere ficar encalhada na porta do vagão do que olhar para os corredores.


A sabedoria popular diz que você deve empurrar para entrar nesse caos, por isso vemos tantos seres humanos agir como selvagens. A selvageria é justificada, pois chegar pontualmente ao trabalho é uma questão de sobrevivência, ir a uma consulta marcada para as oito horas da manhã é uma questão de sobrevivência e todas as atitudes mencionadas são questões de sobrevivência, é o jeito que as pessoas tem para garantir o seu espaço, mesmo que muitas vezes de uma maneira equivocada.

terça-feira, 11 de junho de 2013

A Semente

Acredito que sou escritora pela influência da minha tia. Ela trabalhava como auxiliar de enfermagem em uma grande editora e companhia de papéis, conhecia muita gente e era queridíssima e, por causa do carisma, ela arranjava algumas preciosidades para mim.

Fazia um longo caminho de trem até chegar ao grande complexo industrial. Era uma viagem desconfortável e muito pior do que hoje em dia, pois às vezes as pessoas ficavam penduradas na porta do vagão e corriam risco de vida.

Mesmo assim, ela trazia aquelas jóias deformadas, mas que mantinham sua preciosidade interior, livros únicos, pois se diferenciavam do padrão estipulado para a impressão. Eram livros infantis, romances, dicionários e muitos outros gêneros.

Ela cultivava o hábito da leitura desde adolescente. Como toda menina, devorava romances cor-de-rosa e era envolvida por aqueles amores impossíveis, depois passou a leituras ligadas ao desenvolvimento espiritual e emocional.  

Estava sempre disposta a ajudar, totalmente altruísta, sabia a lição que precisava tirar da vida, irreverente, interessante, cativante, inteligente e deixou como legado essa semente da leitura que germinou e cresceu. Aprendi a apreciar os livros, pois eu não ligava nenhum pouco e hoje eles são uma parte importante da minha existência.

domingo, 9 de junho de 2013

Decepção Rima com Perdão

Às vezes erramos com um amigo, namorado, pai, mãe, é inevitável numa relação íntima. Mas, muitas vezes aos olhos daquela pessoa o erro é tão grave que forma-se um drama daqueles de novela. Daí surge a decepção e questionamos:  Que falta de consideração? Todo o amor que entreguei vai por água abaixo por causa de uma besteirinha?

Não foi a intenção causar mágoas e transformar o deslize insignificante num dramalhão. Vários fatores estão envolvidos em reações exageradas. A situação emocional da pessoa é influenciada pelas peças que a vida prega, os sofrimentos, a pressão social, as palavras maldosas dos fofoqueiros de plantão, as perdas e a solidão dos últimos tempos, o medo, e muitas outras coisas que causam desequilíbrio momentâneo e encobrem a razão.

Nosso algoz pode pedir desculpas, mas o baque daquelas palavras impensadas é tão forte que não é fácil dar o braço a torcer e aceitar aquele ombro amigo de novo, ou aquele corpo quente a seu lado na cama. Sabemos que no fundo tudo é um mal entendido, mas tem muita gente que gosta de curtir esse clima negativo.

Aceitar e compreender o outro é a saída. Deixar o orgulho de lado e admitir que aquela pessoa é importante na sua vida e não abrirá mão dela de jeito nenhum. No final ambos aprendem que é melhor viver o presente, esquecer o passado e deixar as expectativas de lado, pois decepções acontecem.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Cavalheirismo

Onde está o cavalheirismo? Apenas nas páginas dos clássicos da literatura universal? Nos contos de fada?

Alguns homens hoje em dia não dão passagem para as mulheres nas filas para sair do ônibus, da lotação, do teatro, cinema, não carregam as compras delas nos shoppings, evitam puxar a cadeira no restaurante, abrir o portão ou a porta, e muitas outras situações. Esta não é apenas uma questão de cavalheirismo e sim de educação, pois muitos só faltam passar por cima do sexo “frágil”.

Muitas vezes os homens são cavalheiros por interesse. Se a mulher for do tipo gostosona, dão passagem com prazer e se precisar eles até tiram a camisa para ela não sujar o pé na lama. Outros são genuinamente cavalheiros, consequentemente educados. Mas talvez haja outro motivo para a falta de cavalheirismo hoje em dia.

Homens e mulheres estão praticamente em pé de igualdade em algumas áreas e a sociedade é cada vez mais individualista. Muitas mulheres não exigem o cavalheirismo dos homens, na verdade até o romantismo é banalizado. E se o romantismo está com seus dias contados, o cavalheirismo está praticamente com o pé na cova.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Lágrimas

Lágrimas escorriam dos olhos da passageira sentada no banco do metrô. Ela segurava o aparelho celular em frente ao rosto na tentativa de disfarçar seu sofrimento, mas a maioria das pessoas nem prestava atenção de tão preocupados com suas próprias mazelas.

Seus olhos estavam marejados e quase inchados pelo choro tímido. Será que ela havia recebido uma notícia ruim? Brigado com o namorado? Talvez alguém estivesse doente na família e ela sentisse a carga pesada demais para aqueles ombros frágeis, mas não dizem que Deus dá os fardos a quem pode carrega-los?

Chorar. Para alguns, pode ser sinal de fraqueza, para outros, uma demonstração aberta dos sentimentos é sinal de força. O bebê chora para pedir atenção, os adultos às vezes choram para pedir socorro. As lágrimas são amargas para o derrotado e doces para o vencedor, ou doces para o inimigo que vê seu adversário cair de joelhos.

Às vezes as pessoas exigem lágrimas de nós, acham que obrigatoriamente deve-se chorar em velórios, enterros, casamentos e muitos outros rituais e cerimônias que existem aqui nas diversas culturas deste mundo, mas não entendem que o choque da situação pode ser tão forte que os olhos ficam secos e a ficha só vai cair depois.


A primeira coisa que nós fazemos quando saímos do útero é chorar. Derramamos as primeiras lágrimas por saber instintivamente que aqui fora é uma selva moderna e que não vai adiantar nada chorar pelo leite derramado. É encarar a vida e seguir em frente com sangue, suor e lágrimas, sejam elas de alegria ou de tristeza, mas que sejam derramadas no momento presente.