terça-feira, 24 de maio de 2011

O Catador

O carrinho do catador trazia na parte de trás a bandeira do Brasil, as cores eram vivas, o verde, o amarelo, o azul e o branco.
Dentro dele: cadeiras, ferro, latinhas de refrigerante, coisas de plástico, outras coisas de alumínio.
O catador estava sentado no meio-fio, descansando sob a proteção da sombra. Era maltrapilho, olhar triste, para a sociedade talvez ele seja considerado um “burro de carga” que carrega no lombo uma tonelada de “trecos”, mas para sua família ele é o herói que traz o sustento.
Cada coisa ali dentro do carrinho vale apenas alguns centavos, algumas são mais valiosas e aproveitáveis, outras apenas ficam amontoadas num canto do ferro-velho, mas, ao final da pesagem, paga-se uma ninharia apesar de todo o esforço. Essa luta diária por cada pedaço de lixo poderá render a compra do mês. O leite das crianças, o calçado que cobre as bolhas, o boné que protege do sol, o arroz, o feijão, a cebola, o alho e o óleo para cozinhar, comer, beber, dormir e esperar outro dia para carregar o mundo nas costas.
Seus dias são longos. Desvia de carros e toma cuidado para não cortar as mãos nos cacos de vidro, segue a rotina arriscada, tenta encontrar no lixo os pedaços que faltam em sua vida, trilhar seu caminho para a dignidade e algum dia poder dizer com orgulho:
- Eu posso alimentar meus filhos !
- Eu sou feliz !
- Eu sou brasileiro !
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