sexta-feira, 10 de maio de 2013

Achados e Perdidos


Outro dia eu estava no ônibus e de repente eis que surge um óculos de sol no chão. Nem eu, nem a menina a minha frente viram de onde veio o objeto e ninguém reclamou. Peguei o óculos do chão.

Ele era preto, com pinta de que foi comprado em um camelô. Modelo masculino, quebrado, provavelmente pertencia a um “mano”, sem marca, não custou os olhos da cara e talvez nem fosse importante assim para o dono.

Ao final da viagem entreguei o óculos para a cobradora e ela distraidamente quase levou o meu livro embora, pois pensou que ele fosse o objeto perdido.

Tem coisas que nós perdemos e não valem nada, mas outras tão significativas a ponto de mudar o nosso jeito de ser. Podemos perder o chaveiro símbolo daquela amizade que nos faz falta. O ursinho de pelúcia que ganhamos da vovó na noite de natal. As cartas com marcas de batom da sua mãe - ela que era vaidosa e usava todos os dias,  bilhetes do seu primeiro namorado, aquela foto com o seu melhor amigo na época da escola primária e tantas outras coisas que vêm e vão das caixas que tiramos do guarda-roupa ou do armário.

Objetos que trazem à tona o melhor de nós, a nossa história, neles nos encontramos, reencontramos e redescobrimos sonhos há muito tempo esquecidos pela memória mas que vivem nas lembranças guardadas pelos cantos da casa.

Perder é se achar ao mesmo tempo.

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