quarta-feira, 5 de junho de 2013

Lágrimas

Lágrimas escorriam dos olhos da passageira sentada no banco do metrô. Ela segurava o aparelho celular em frente ao rosto na tentativa de disfarçar seu sofrimento, mas a maioria das pessoas nem prestava atenção de tão preocupados com suas próprias mazelas.

Seus olhos estavam marejados e quase inchados pelo choro tímido. Será que ela havia recebido uma notícia ruim? Brigado com o namorado? Talvez alguém estivesse doente na família e ela sentisse a carga pesada demais para aqueles ombros frágeis, mas não dizem que Deus dá os fardos a quem pode carrega-los?

Chorar. Para alguns, pode ser sinal de fraqueza, para outros, uma demonstração aberta dos sentimentos é sinal de força. O bebê chora para pedir atenção, os adultos às vezes choram para pedir socorro. As lágrimas são amargas para o derrotado e doces para o vencedor, ou doces para o inimigo que vê seu adversário cair de joelhos.

Às vezes as pessoas exigem lágrimas de nós, acham que obrigatoriamente deve-se chorar em velórios, enterros, casamentos e muitos outros rituais e cerimônias que existem aqui nas diversas culturas deste mundo, mas não entendem que o choque da situação pode ser tão forte que os olhos ficam secos e a ficha só vai cair depois.

A primeira coisa que nós fazemos quando saímos do útero é chorar. Derramamos as primeiras lágrimas por saber instintivamente que aqui fora é uma selva moderna e que não vai adiantar nada chorar pelo leite derramado. É encarar a vida e seguir em frente com sangue, suor e lágrimas, sejam elas de alegria ou de tristeza, mas que sejam derramadas no momento presente.

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