terça-feira, 9 de julho de 2013

O Guarda-Roupa - Capítulo 1 - Vilma

Olá leitores,

O que será que vai acontecer neste conto que gira em torno de um presente de aniversário, uma mulher solitária, sua irmã romântica, o cunhado espertinho e o ex-amante?

Bom... Vocês vão descobrir...

Numa rua com a calçada coberta por mato, asfalto irregular e estreito, sem saída, casarões antigos contrastando com a arquitetura moderna, as cores predominantes nos muros são azul, cinza e branco. No começo da rua, uma pequena igreja em estilo gótico, poucas janelas e uma grande porta de madeira, dedicada a Santo Agostinho da Cantuária. Próximo a ela vive Vilma.

Vilma é uma viúva com seus sessenta e poucos anos, vive sozinha, os filhos todos casados, foi abandonada por eles e por sorte mantém a amizade com os vizinhos, seu apoio. Ela e suas vizinhas costumam se reunir à noite nos finais de semana, jogam cartas até o sol raiar, bebem café aos montes e saboreiam os petiscos, conversam sobre a vida alheia, mas nem sempre o assunto é alheio a elas.
Vive em um grande casarão, com móveis antiquados e pintura cor pastel em todos os cômodos, uma grande cozinha, dois quartos, sala pequena, janelas enormes e portas de alumínio.

A rotina de Vilma é acordar às cinco e meia, tomar banho, preparar o café da manhã, com os mesmos itens todos os dias: ovos, pão, café com leite, às vezes torrada, às vezes chocolate quente, às vezes café puro, depois, lava a roupa e enquanto estende as peças no varal conversa com a vizinha, chamava-se Juna e também costumava freqüentar as noites de carteado. Após estender a roupa no varal, sentava no sofá e assistia aqueles programas culinários, anotava as receitas mais interessantes no caderno e depois testava, e distribuía as vizinhas.

Vilma começava a preparar o almoço às onze horas e pontualmente ao meio dia servia-se de arroz, feijão e qualquer outra mistura que comprasse no açougue. Mais tarde, assistia aos acalorados debates em certos programas sensacionalistas, depois preparava o café da tarde com bolo de fubá, café com leite e bolinhos de chuva. Dezoito, dezenove, vinte e uma horas, novelas, novelas e novelas...com pausa às vinte horas para o noticiário.

Depois disso ia dormir para no outro dia começar tudo de novo. A viúva seguia sua rotina e quase ia esquecendo a data mais indesejável da mulher, o dia em que ela fica mais velha.

As vésperas de seu aniversário, Vilma recebeu uma ligação. Era sua irmã mais nova, Dora, que deseja dar-lhe seu guarda-roupa de presente, esta acaba de comprar um novo e como os móveis da irmã são antiquados decidiu presentear-lhe com algo mais moderno.
Vilma aceita o presente, mas há um problema:
- Eu vou viajar e não poderei levar o presente até você, pois o Mário está com o carro quebrado.

Essa frase de Dora foi terrível, como poderia buscar o presente?

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